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26 de jun. de 2014

Tortura e empirismo

     Muitos brasileiros têm se manifestado a favor da tortura como forma de combater a criminalidade. Tal posicionamento não revela nada de novo, apenas reforça a tese do Empirismo de que o conhecimento vem principalmente a partir da experiência sensorial. Tomaz Hobbes (1588 a 1679), demonstra isso em frases como: "homo homini lupus", o homem é o lobo do homem e arrematada com a expressão: "Bellum omnium contra omnes", é a guerra de todos contra todos.
     A violência é própria do ser humano. Apesar do grau de evolução e conhecimento a que chegamos, ainda não nos distanciamos do animal perigoso e predador que somos. A sensação e o fascínio que levam à tortura e à submissão estão latentes no homem. 
     A esse conceito também chegou Hobbes, apontando que o Direito reduz-se à força. E Hobbes apenas amplia o pensamento de Platão para quem “o direito, no mundo só está em questão para iguais em poder. Os fortes fazem o que podem e os fracos sofrem o que devem sofrer”.
     O interessante é observarmos que as classes mais altas e com elevada escolaridade apoiam o uso da tortura. Essa natural atitude do ser humano foi demonstrada por Hobbes no século 16, portanto, hoje essa tese está mais clara do que nunca. 
     O homem, apenas saiu da escuridão e, ao migrar para a luz, descobriu que poderia melhorar os atributos de sua força e que ela não se resumia, apenas, aos músculos. Conforme o Empirismo de Hobbes “o poder de cada um é medido pelo poder real”. 
     Portanto, a essência do direito de cada um está ligada à força, logo, o homem só pensa nos próprios interesses. O manifestado desejo punir para chegar à verdade através da tortura, apenas confirma a tese do “homo homini lúpus”.

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