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5 de nov. de 2011

Viver é acumular lembranças

      Não podemos frear o tempo. Sua marcha é inexorável. Sobram apenas as lembranças que se misturam em nosso baú de saudade. Nele estão revoltos, também, os sonhos não realizados. Projetos de vida que fazemos questão de guardar, porque haverá um tempo em que voltarão vergastar nossa memória.
     No abstracionismo das ideias revoltas lá estarão todos esses estigmas, resultados do que vivemos e do que pretendíamos ser. Nesse jogo das lembranças – sombras que se debruçam sobre a estrada percorrida –, fazemos questão de ser o pretérito perfeito daquilo que deixamos passar sem ter vivido em toda plenitude.
     Afinal, viver é acumular lembranças, umas boas, outras indesejáveis, mas das quais somos parte. Não podemos tentar esquecê-las, ignorar. Quando folheamos o livro da nossa vida elas surgem, algumas com tanta intensidade que somos arrebatados a outro tempo que foi e queremos que seja presente.

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