Essa anotação é para o meu amigo Aroldo Pinheiro. Fui buscar lá nos “recuerdos” do grande e saudoso poeta cearense Leonardo Mota, o nosso querido Leota. Ele conta que encontrou na cidade de Icó um jovem desregulado do juízo que cuidava da limpeza do jardim de um velho asilo da igreja católica, onde sempre chegavam crianças recém-nascidas abandonadas.
Um dia o jovem ao abrir o portão do asilo encontra dois bebês abandonados. Entrega-os ao monsenhor e vai cuidar dos seus afazeres e sempre repetindo: Não entendo! Não entendo! Leota o encontrá-o em um bar repetindo o mesmo refrão, ao conversar com ele, fica sabendo da história e escreve o seguinte:
Pelas ruas da cidade
andava um doido dizendo
Com toda sinceridade:
- Não entendo, não entendo!
Como alguém lhe perguntasse:
- O que é que não entendeis?
Ele sem voltar a face
Respondeu com altivez:
Donzelas são sempre puras,
Damas casadas também
E viúvas são criaturas
Que de honestas o nome tem.
No entanto os pequeninos
O asilo vão enchendo,
De quem são esses meninos?
Não entendo, não entendo!
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Há 7 meses

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